SEJA BEM VINDO

Sente, tire o sapato, fique à vontade.

sábado, 18 de abril de 2015

O Ser Amoroso

A morte me convidou a navegar cedo e profundo. Eu acordei afogada, cansada, já não era eu, e nem voltei a ser. Meus amores me quiseram mesmo assim. Aos poucos, me lembrei de uma coisa ou outra que eu era, e, nas raras vezes que algo ainda fazia algum sentido, eu adotava de volta. Minha maior conquista foi recuperar o ser amoroso em mim. 

Apesar de que voltei a sofrer - e sofrí muito - nunca mais estive em águas tão profundas. Me perguntei várias vezes, por dores minhas e alheias, porque um Deus que ama, poderia ter planos tão dolorosos em mente. Porque diabos tinhamos que aprender a conviver com um vazio que arde. Há alguns meses, quase um ano, comecei a perceber que em cada perda, eu recebia de volta mais uma parte do meu ser amoroso. 

O meu amor já não é ingênuo, não é tácito, não é óbvio, e nem tema de amanhã. Ele amadureceu, é urgente, e suporta cada vez menos amar aqueles que são contidos no amor. Eu sou mais feliz desde que, como Djavan, descobrí que Deus abençoa aquele que erra por amor. 

Quando me enterei que havia sido a primeira em chegar, com as lindas flores que tanto perseguí pelas ruas tristes de Montevideo, encontrei a paz que havia ido buscar. Este amor, que já havia sido revelado em suspiros, expectativas, em cartas, sorrisos, olhares, necessitava, agora, ser revelado nos meus pés dormentes, no meu frio, na minha solidão e até no meu precipício financeiro, se é que este último não estraga a poesia. 

2 comentários:

  1. o que é o amor, se não
    cria do ser?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que honra de ter aqui, amiga querida! Você sabe o quanto gostaria que você escrevesse mais!

      Excluir