Foi depois de buscar fotos das principais pensões da
Mooca que me sentí confortável para escrever sobre o Ismael. Certamente ele
vivia em um quarto simples, porém branco, porém limpo, que combinava com ele. Há quatro anos
atrás, recém separado pela terceira vez, Ismael fez o que sempre fazia quando
deixava um amor: deu um apartamento para a ex mulher e voltou para a Mooca.
Ismael não
parecia indignado e nem que mentia quando dizia que gostava da liberdade de
morar em uma pensão. De qualquer forma, tão logo voltou para sua vida solitária na Mooca, começou a buscar sua primeira namorada, de menino:
a Rose.
Ismael falava de Rose com amor e insegurança. Diferente dos seus outros amores, Rose não quis um
apartamento dele, quando tinham apenas vinte anos. É que ela nunca quis depender de
ninguém, dizia ele.
Sobre as queixas de Rose, de
estar velha e frouxa, Ismael lhe dizia:
¨Eu gosto de você, da sua magreza, da sua
dentadura, do seu cabelo seco, eu gosto de você.¨
Ismael só queria falar sobre a
felicidade de estar novamente com Rose, apesar de que o momento era delicado.
Rose queria um tempo pelas grosserias de Ismael. Além disso, diferente dele,
Rose não queria viver junto e se incomodava com o fato do Ismael não trabalhar,
ou viver de renda, como ele preferiria que eu dissesse. Com cerca de dois mil reais, me disse, trabalhar não fazia sentido.
Sempre que me contava algo que piorava a situação deste amor, Ismael amenizava dizendo que era só uma fase. Para convencer Rose, para me convencer, sobre o
futuro da sua história com ela, Ismael me ensinou:
¨Uma estrada de mil kilometros muda. Se não conservar, dá buraco.¨
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