O meu amor achava que eu era uma espécie de Aconcagua porque, sem saber se ele era um escalador profissional ou um turista desavisado, eu não o deixava me escalar. Era o Aconcagua com medo de uma pessoa.
O nosso amor é Aconcagua. Que desce, sobe, congela, derrete. Que sempre é outro, ao mesmo tempo que permanece o mesmo. O nosso amor é Aconcagua porque parece desentupir o nariz, renovar a pele e o espírito. É Aconcagua porque toca o céu, porque é difícil e é possível e porque só o caminho já vale a viagem. É Aconcagua porque até mesmo quando não o vemos - porque às vezes há neblina demais - ele continua sendo um dos maiores do mundo.

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