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terça-feira, 10 de março de 2015

Os pés da Vó Ilda

Olhei antes pros pés. Descobri recentemente como é divertido entrar pela janela. Só que desta vez, parei nos pés. Eram os pés da vó Ilda e eu não queria subir meus olhos pra me decepcionar. 

Estes pés são pés da vó Ilda, eu os conheço bem. Tem as veias azuis pulando, mas não é feio; o mesmo tom de pele; as bolinhas brancas que ela também tinha nos braços e nas mãos  - e que eu costumava dizer à ela que se pareciam a uma linguiça -, e também o piso firme, distanciado, de quem não quer cair. Um sapatinho sempre colorido, sempre moderninho, sem abrir mão do conforto. O vestido, colorido também, com algo de arte e alegria. Definitivamente, era o pé da vó Ilda. 

Se não fosse pela canela, que estava muito grossa para ser a da vó Ilda; as solas, gastas demais e sujas demais, para ser dela; o tamanho deste pé, que seguramente não era 35, seria o pé da minha avó. Seria o pé da vó Ilda se a alegria estivesse toda no sapato ou toda no vestido. Nos dois, não era ela. 


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