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domingo, 27 de julho de 2014

Passarinho

Não seja egoísta porque assim, eu te desgosto. Assim, te vejo feio. Você me chamava de passarinho, e me dava delicados tapinhas no bumbum quando me via caindo. Eu recuperava o voo e com a suavidade de sempre, te alegrava.

Agora, passarinho na gaiola, gaiola meio aberta, meio fechada. Pra sair, dói. Pra ficar, dói. Você aparece de repente, me joga um alpiste. Eu como. As vezes, na maioria delas, durmo com fome. Quando você vem, te olho nos olhos, e dói neste corpinho, de passarinho, pensar que você vê motivações ocultas em mim. Como se eu pudesse picar você, como se eu pudesse envenenar você. Não sou aranha. Não sou cobra. Sou passarinho.

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