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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Minha bravíssima preferida

Minha avó era uma mulher doce, bela, engraçada e bravíssima, podia falar com os olhos mas muitas vezes preferia gritar. Depois, se arrependia, se derretia e mostrava todo o seu carisma e doçura de volta. Preservava em si a menina que se casou aos dezesseis. 

Escrevia incrivelmente bem, com humor e elegância; sabia ressaltar as coisas certas e de uma forma original em seus cadernos e diários.

Costumava me oferecer dez reais para eu contar no que eu estava pensando e se depois vinha um conselho, era de cunho explosivo. Me dizia que eu deveria me impor, gritar, brigar, não aceitar.

Era pícara. Gostava de passar trotes para pessoas conhecidas, de preferência da família, e não chegava a admitir que era ela, desligava morrendo de rir. Quantas vezes ligamos para o Tio Tuzinho na madrugada falando que pensávamos ser do açougue porque vimos um boi branco na janela! 

Minha querida avó, altíssima, de pés pequenos, cabelos cor de mel, pele de pêssego e roupas de bolinhas... Sempre renovada, doce, fresca e forte. 

Dias difíceis são longos sem você,

Sua Lili 

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