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sábado, 3 de setembro de 2016

Meu gentleman preferido

Meu avô é um homem da rotina. Tem horário para tudo, se veste sempre igual e nunca gostou de viajar. Desde sempre, era só ele perceber que algo que ele me dava, me agradava, que aquilo virava rotina e ele repetia repetia repetia repetia até que eu, sutilmente, e com dor no coração, dizia para ele parar.  


Meu avô é a pessoa mais educada, bondosa, doce, elegante e justa que já passou por este mundo. Ele me ensinou que quando uma coisa precisa ser feita escondida, é porque ela está errada, e então, não deve ser feita. 

Nos melhores momentos, ele me disse, no ouvido, dentro de um abraço, - Alicinha, o vovô te ama tanto. Nos meus piores ele me disse, no ouvido, dentro de um abraço, - Alicinha, isto vai passar. Nunca me fez uma pergunta como uma espécie de condição para um abraço. A condição era o olhar. 

Quando criança, fazia de tudo para me agradar. Me deixava ganhar no dominó, comer todas as besteiras que eu não podia comer na minha casa e até se animava a me contar histórias antes de dormir. Estas histórias sempre tinham como protagonista um gato preto; sempre começavam no telhado de uma casa; e ele sempre terminava dormindo na metade do conto. 

Nosso amor está declarado em tantas cartas... Desde quando eu nem sabia escrever e então, desenhava. 

Meu querido avô, levantando às quatro da manhã, comendo pão às cinco da tarde, com seu jeito lento e doce de falar, sempre atento ao que agrada cada um... 

Dias difíceis são longos sem você,

Sua Alicinha 

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