Ian é um cara legal. Ele é alto e tem cabelos cor de mel. Sempre que escuto a música "Leãozinho", de Caetano, penso em Ian saindo do mar de Cabo Frio.
Ele tem um jeito puro de rir, sem malícia. E não é só o sorriso. Ele é puro mesmo. Não desconfia de nada nem ninguém, mas quando sente medo, diz e quando sente tristeza, chora.
Na verdade, ele foi meu primeiro amor. Foi do Ian meu primeiro beijo. Aos três anos. Um estalinho inesquecível. Estávamos na cachoeira quando ele colocou as mãos leves sobre meu rosto gordo e firme e me beijou, como quem beija a testa de quem ama. Nossos pais fotografaram a cena; não me lembro de ter visto um beijo mais bonito.
Ian sempre foi quem eu quis impressionar. No colégio, em casa, na rua.
Sabe aqueles cachorros que sempre vem lambendo, obedecendo, e defendendo o dono? Eu pra ele sou assim: estou sempre disposta.
O problema de ter um amor destes é achar que outros amores tão bons serão encontrados. Por acaso, por uma chance. Mas um amor puro, que só quer amar, que precisa deste amor para viver, é algo tão raro que, dizem, só acontece uma vez. Se realmente for verdade, esse é o meu.

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