Entrei no ônibus para Niterói. Olhei e só havia uns três lugares.
O mais perto era ao lado de um sujeito moreno, alto, de cabelos crespos, chinelos gastos e um boné azul marinho.
Olhei para ele como quem analisa um possivel bom marido.
Não sei porque preferi seguir e sentar mais a frente. Mas ainda estava relativamente perto do homem que rejeitei.
Não demorou muito para o onibus parar, e entrar uma senhora. Daquelas bem baixinhas e fofas.
Fiz que não a ví - eu acabara de sentar e estava descansando de um dia inteirinho de estudos e caminhadas, e havia ali muitos marmanjos para ceder um lugar -. Os passageiros ficaram se entreolhando, como se cada um chamasse o outro de egoista mas soubesse que também é.
Até que levanta o meu ''quase vizinho''. Faz um sinal de positivo com a cabeça e não da confiança as conversas da senhora, que tenta puxar um papo.
Não sei se ela fez um bom negócio em aceitar o lugar. Agora o homem colocou os braços, cheios de suor, pendurados no alto, e ia bem na direção da velhinha faladeira.
Não sei porque, resolvi ficar prestando atenção naquela cena. Até que o moreno resolve pegar o celular e disca para alguém.
Já que eu não tinha nada pra fazer, fiquei prestando atenção.
Pelo que entendi, se tratava de uma pseudo-namorada dele. Ele reclamava à ela que não entendia o porquê do tratamento que ela dava à ele. Dizia que ela não andava de mãos dadas com ele na rua, e também questionava os encontros as escondidas.
Depois da resposta dela, ele aumentou a voz, e disse que a mão dela não é de ouro, e que ''desse jeito não dá!''.
Acho que agora ela disse que iria desligar.
Porque ele retrucou: Não desliga, não desliga.
Ela desobedeceu-o.
A essa altura os passageiros já estavam se entreolhando com aquele sorriso sacana, como se o cara fosse mesmo um babaca.
Ele, acho que mais irritado por conta dos risos, resolveu ligar novamente para a mulher e disse que sabia muito bem quem ela era.
Agora todos os olhares se focaram nele. Parecia que ele iria nos revelar um grande segredo.
E então ele começou dizendo que ele investigou a vida dela (mais risos).
Que ela não passava de uma mulher mentirosa, casada e com dois filhos.
Nem deu tempo dela retrucar. Desligou logo o telefone e olhou para nós, passageiros fofoqueiros, com um ar de superioridade.
Não demorou muito ele retornou a ligação. E disse mais meia duzia de bobagens.
Agora todos olhavam descaradamente para ele.
No primeiro ponto que surgiu, ele desceu. Com a cabeça baixa, sendo observado até a saida.
Saiu por vergonha dele, dela, ou dos dois.
Ou saiu como o sem vergonha que é, ele, ela, os dois.
primeiro eu vou rir, hahahahahahahhahahahahahahahahhahahahahahhaa
ResponderExcluiragora vou comentar.
ResponderExcluirexcelente narrativa! eu consegui ter em mente a cena retratada acontecendo passo a passo. isso é difícil, é pra quem escreve bem! já li sobre isso uma vez.
parabeeeeens poetisalice!
beijos beijos beijos