SEJA BEM VINDO

Sente, tire o sapato, fique à vontade.

domingo, 12 de setembro de 2010

Tudo culpa da hóstia!

Quando tinha uns 9 anos, o meu colégio resolveu propor para os alunos as aulas de catecismo, para podermos fazer a primeira comunhão. Lembro que fiquei pensando se deveria ou não (e estava tendendo ao não) até ficar sabendo que assim que completasse a primeira comunhão, iria poder comer a hóstia, aquele negocinho branco e fino que o padre entregava la na frente das missas aos domingos e as pessoas faziam filas para receber. Eu achava que aquilo era gostoso, que só podia ser muito gostoso e me sentia enganada e indignada quando me diziam que aquela coisinha tão requisitada não havia gosto algum. Não podia ser. Eu não entendia porque as pessoas formariam filas para provar algo sem gosto, então, pela curiosidade de poder entrar na fila e finalmente comprovar minha teoria, entreguei minha ficha para participar das aulas.

Eram, se bem me lembro, aos sábados de manhã, o que pareceria um martírio hoje, mas na época não foi nada penoso, pelo contrário, todos meus amigos estavam lá e nos divertíamos muito nos vendo uma vez a mais na semana para rir e dançar. As musiquinhas da igreja sempre me pareceram bastante engraçadas, principalmente aquelas que nos convidavam a dançar, como a minha preferida, que diz “quando o espírito de deus retoma em mim eu danço como o Rei Davi”. Até hoje me lembro bem de todas, ou quase todas, aquelas músicas.

Também aprendemos lá, como deveríamos andar durante a fila até receber a hóstia. Mas nos ensaios, pra minha decepção, não havia hóstias. As professoras faziam de conta pegar uma hóstia e dar em nossas mãos, que continuavam vazias. Aquela cena, repetidamente, só aumentava minha curiosidade.

Como eu sempre tive dificuldade com direções e comandos, nunca sabia a posição das mãos e qual delas ficava por cima, a direita ou a esquerda. O que eu sei é que sempre copiei a pessoa da frente quando dava, ou a pessoa de trás, quando não dava.

Por fim, houve o dia da confissão. Em que aquelas criancinhas de 9, 10 anos tinham que confessar seus pecados para o padre. Eu fiquei pensando quase um dia inteiro no que poderia dizer pra ele e até ensaiei no espelho. Por fim, chegou minha vez. Contei meus pecadinhos, vários deles, ele sorriu, me mandou rezar algumas coisas e me desejou boa sorte.

Lembro que o último ensaio caiu bem no dia do meu aniversário e foi na Igreja da Matriz pela primeira vez. Já estávamos todos bem treinadinhos e tudo ocorreu bem. Nesse ensaio teve hóstia. Ela era mesmo sem gosto, sem gosto nenhum, e pior, ela ainda grudava no céu da boca. Uma decepção total.

Cheguei em casa e disse que não queria ir. Inventei mil desculpas. Nenhuma colou.

A noite eu estava lá na porta da Igreja da Matriz, toda de branco e arquinho azul no cabelo. E depois na fila, copiando as mãos que estavam na frente e também as que estavam atrás. Mais tarde, provando uma bela rodada de pizza no Sabor e Lenha, dividindo minha presença com meus familiares na mesa e com meus amiguinhos, agora católicos, na parte de recreação da pizzaria. Por último, chegando em casa, ainda sem entender o mistério da hostia eu já era católica.

2 comentários:

  1. A presença de Deus sente-se em grandes e pequenos momentos, mas principalmente misteriosos e profundos, vivenciando um sentimento de aconchego e paz.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir