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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Importei e Exportei o amor




Tinha uns quatro anos quando meu pai chegou de viagem com um presente inesquecível: O espanhol; meu boneco que acabou ficando com esse nome, super autoexplicativo.
Ele era diferente dos meus outros bonecos. Espanhol era mais alto, com cabelos louros e um corte super original. Seus olhos eram azuis, como a maioria dos bonecos, mas ele tinha um olhar expressivo, que me fazia querer exibi-lo.
Todo ano minha mãe fazia aniversário de bonecas, e eu tinha de escolher uma para ser homenageada. Não era novidade para as bonecas que elas não eram minhas prediletas, e que a festa era de Espanhol todos os anos. Com o passar do tempo percebi que ele merecia vestes novas. Pedi então para minha avó, costurar novas roupas para ele. Todas, eu mesma desenhei, eram semelhantes a que os principes usavam. Já imaginando que os outros sentiriam inveja e pudessem vigar-se do meu principe, tratei de fazer uma cama, bem perto da minha, para Espanhol dormir. E lá ele dormia.
Lembro da minha última conversa séria com Espanhol, eu tinha meus quatorze anos e tentava explicar à ele porque nossas brincadeiras tornaram-se cada vez mais raras. O estopim foi meu primeiro beijo. Contei a Espanhol e ele me fitou com aqueles olhos arregalados que sempre teve. Eu o entendi, afinal, também sentia isso. Não queria abandonar meu grande e velho amigo por um brinquedo que falava, andava, e beijava. Não era justo.
Mas foi sem querer que Espanhol foi sendo trocado pela internet, até eu começar a namorar. Às vezes passava por ele, e o via sempre cabisbaixo. Isso me dava um enorme vazio.
Até que um dia, fui à casa de Wellington, funcionário de confiança da minha mãe. Percebí que sua filha Laura brincava com os materias de trabalho do pai por falta de brinquedos. Logo veio Espanhol em minha cabeça. Pensei que ele gostaria de ter uma mãe novinha em folha. Cheia de mimos com ele. E Laura era ideal.
Não o ví mais. Nem imagino como foi sua vida com a nova familia.
Mas torço pelo bem de Espanhol, pela sua felicidade e diversão. Afinal, ele é uma boa criança e me deu muitas alegrias como um filho provisório que foi.
Que ele seja feliz, e que tenha muitas outras mães que o amem tanto, ou mais, do que eu.

2 comentários:

  1. Lindo texto.
    Eu sempre achei crescer algo um pouco doloroso.
    Você retratou isso de uma forma muito bonita.

    Beijos.

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  2. Ai, muito maneiro alice! Ficou show de bola essa essa seu post. Parabéns pelo blog.
    Bjao e se cuida

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